A Neuropsicologia de Luria e suas relações com a Clínica Vigotskiana

Um novo olhar para os desafios contemporâneos da psicologia

Na prática da psicologia clínica contemporânea, é cada vez mais comum o atendimento a pessoas que apresentam dificuldades cognitivas, transtornos de atenção, alterações comportamentais e quadros de ansiedade. Essas manifestações, longe de serem apenas questões neurológicas ou emocionais isoladas, exigem uma abordagem que considere o ser humano em sua totalidade — incluindo seus vínculos sociais, seu corpo, sua linguagem e sua história.

É nesse cenário que se destacam as contribuições de Alexander Luria, figura central para quem trabalha com a clínica histórico-cultural. Sua proposta ultrapassa os modelos tradicionais da neuropsicologia ao integrar a complexidade do psiquismo com as bases culturais do desenvolvimento humano.

O cérebro como sistema funcional: a revolução de Luria

Luria — neurologista, psicólogo e um dos mais importantes colaboradores de Vigotski — inaugurou uma forma inédita de compreender o funcionamento cerebral. Em vez de adotar visões reducionistas como o localizacionismo ou o holismo difuso, ele formulou a teoria dos sistemas funcionais dinâmicos, segundo a qual as funções mentais superiores (como a linguagem, o pensamento, a atenção voluntária e a memória consciente) emergem da atividade integrada de diferentes regiões cerebrais, organizadas historicamente.

Essa concepção não separa o biológico do cultural. Pelo contrário, reafirma que os processos mentais se formam a partir da mediação simbólica, da interação social e do uso de instrumentos — princípios fundamentais da psicologia clínica histórico-cultural.

A neuropsicologia na prática clínica: mais que diagnóstico, um processo de compreensão

Na clínica vigotskiana, a neuropsicologia não é aplicada como um conjunto de testes ou procedimentos padronizados, mas como um recurso teórico-metodológico que permite compreender, em profundidade, as formas pelas quais o psiquismo se organiza — ou se desorganiza — ao longo do tempo.

Durante o processo terapêutico, o psicoterapeuta investiga como se expressam as funções psicológicas superiores no modo de agir, sentir e pensar do sujeito. Mais importante ainda: essa análise é feita levando em consideração o contexto histórico-social em que a pessoa está inserida, evitando leituras individualistas e patologizantes.

Essa perspectiva orientada por Luria dá suporte a intervenções mais potentes, pois permite compreender as raízes das dificuldades vividas pelo paciente não apenas no nível cerebral, mas também nas experiências culturais, sociais e afetivas que moldam seu desenvolvimento.

A clínica histórico-cultural e o legado transformador de Luria

Ao articular os fundamentos da neuropsicologia com os princípios da teoria de Vigotski, Luria contribuiu para o surgimento de uma prática clínica profundamente comprometida com o sujeito em sua totalidade. Ele mostrou que o funcionamento cerebral não pode ser entendido fora das experiências sociais concretas — e que, portanto, o cuidado com o psiquismo deve levar em conta tanto as bases biológicas quanto os vínculos humanos que sustentam a existência.

A psicologia clínica histórico-cultural se beneficia enormemente desse legado, pois encontra na abordagem luriana não apenas ferramentas de análise, mas uma ética de cuidado que resgata o humano para além dos diagnósticos.

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Para saber mais sobre o assunto:

  • Livro “Desenvolvimento Cognitivo” – Alexander Luria
  • Capítulo de Livro “Contribuições da Neuropsicologia de Luria para a Clínica Histórico-Cultural” – Ana Ignez e Janaína Melo 

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O Instituto Veresk é um coletivo de psicólogos histórico-culturais apaixonados pela teoria de Vigotski na clínica, composto por Neto Oliveira (Diretor Geral), Brenna Santos (Coordenadora Pedagógica) e Mylene Freitas (Coordenadora de Marketing). Contamos ainda com a referência e consultoria da Prof. Dra. Ana Ignez Belém Lima, precursora da Psicologia Clínica Histórico-Cultural no Brasil.

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