Estrutura fixa? Conheça o nosso conceito de caminhada terapêutica!
Com o avanço das discussões e, cada vez mais, cursos de formação na área de clínica histórico-cultural, não tem sido incomum recebermos perguntas como: “Afinal das contas, a Clínica Histórico-Cultural tem uma estrutura? Ela tem um formato que eu, como psicoterapeuta histórico-cultural, preciso seguir?”
Essa é uma pergunta é muito válida, pois toda proposta de psicoterapia reúne condutas e protocolos clínicos para o tratamento e o enfrentamento das dificuldades vivenciadas pelos pacientes, mas sabemos que a forma como agimos em cada abordagem clínica varia em conformidade com os seus pressupostos teóricos, metodológicos e epistemológicos, e e é por aí que devemos começar a conversar sobre o assunto.
O Marxismo na Psicologia Histórico-Cultural de Vigotski
Que Vigotski é um pensador marxista, disso não resta nenhuma dúvida, entretanto o que não compreendemos é como esse marxismo se expressa em sua teoria! Veja só, em matéria de marxismo, Vigotski nunca esteve interessado em fazer um copia e cola dos conceitos e reflexões empregados por Karl Marx, mas sim seu interesse estava em se apropriar do seu método, o Materialismo Histórico-Cultural, para a construção de uma teoria própria, a Psicologia Histórico-Cultural.
O MHC faz com que a Psicologia Histórico-Cultural, inclusive a clínica, busque por uma relação constante entre o social como onde a nossa personalidade se origina, e isso tem um significado ENORME para a clínica vigotskiana, pois, se as coisas, apesar de serem sociais e universais, carregam consigo uma história própria, uma clínica com essas raízes só pode ser uma clínica artesanal, que se constrói na caminhada com cada paciente.
Mas e aí? A Clínica Histórico-Cultural tem uma estrutura fixa ou não?
Estrutura não, pois é uma palavra péssima para designar qualquer coisa que tenha a ver com Psicologia Histórico-Cultural! Mas podemos sim dizer que a Clínica Histórico-Cultural tem uma configuração, ou melhor dizendo, UM CAMINHO!
Pensar um caminho mais ou menos previsível para a clínica histórico-cultural não significa torná-la rígida e inóspita como certas abordagens da psicologia, mas sim apontar a partir da nossa experiência com o social e com os atendimentos clínicos as configurações e os desenhos de saúde e doença que nossos pacientes costumam assumir.
É como se estivéssemos pensando aqui em um direção mais ou menos comum que devemos trilhar na psicoterapia histórico-cultural para garantir intencionalidade na organização das nossas mediações clínicas, cujo principal objetivo é a promoção de transformação, desenvolvimento e autonomia, que se dá ao longo do que gostamos de chamar de CAMINHADA TERAPÊUTICA.
O que é a caminhada terapêutica?
Esta é uma ideia que surgiu a partir da experiência de supervisão e atendimentos clínicos do prof. Neto Oliveira, Diretor do Instituto Veresk. A ideia é que, assim como nos organizamos intencionalmente quando queremos fazer uma viagem ou ir de um bairro para um outro, o processo psicoterapêutico de base histórico-cultural também deve sinalizar os trajetos de desenvolvimento e experimentação que o paciente irá fazer com seu psicoterapeuta.Essa proposta também está ancorada nos estudos e nas pesquisas sobre acompanhamento psicossocial, que explicam que a principal tarefa do psicólogo deve ser a de ESTAR JUNTO do seu paciente, conferindo o que for necessário para a CONSTRUÇÃO DE AUTONOMIA. Assim, o psicoterapeuta histórico-cultural é quem se fará perguntas como: Para onde estamos indo? Quanto tempo em média iremos levar? Que estratégias devemos usar? Preciso rever o caminho escolhido e optar por outro?
A ideia de caminhada terapêutica é uma alternativa dialética e dialógica da Psicologia clínica Histórico-Cultural para pensarmos as direções e os caminhos que traçaremos com foco na mediação de desenvolvimento, transformação e autonomia dos nossos pacientes.
Em nosso mais novo livro de casos clínicos na abordagem histórico-cultural, descrevemos os períodos que compõe a Caminhada Terapêutica, são eles:
- Acolhimento e intervenção na síndrome sintomática
- Diagnóstico diferencial
- Conscientização
- Intervenção na Zona de Desenvolvimento Próximo
- Alta psicológica
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O Instituto Veresk é um coletivo de psicólogos histórico-culturais apaixonados pela teoria de Vigotski na clínica, composto por Neto Oliveira (Diretor Geral), Brenna Santos (Coordenadora Pedagógica) e Mylene Freitas (Coordenadora de Marketing). Contamos ainda com a referência e consultoria da Prof. Dra. Ana Ignez Belém Lima, precursora da Psicologia Clínica Histórico-Cultural no Brasil.
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