Falar sobre o Projeto Terapêutico Singular (PTS), na Psicologia clínica Histórico-Cultural, é dar a ele um novo contorno: o de uma ferramenta viva, construída com e a partir do indivíduo, considerando seu processo histórico de desenvolvimento, seu contexto social e as possibilidades reais de desenvolvimento, que se relacionam com as relações que desempenha no mundo concreto.
Quando nos propomos a olhar para cada pessoa como um ser em constante movimento e transformação, não faz mais sentido pensar a clínica como um caminho definido previamente com protocolos rígidos, mas sim como um processo construído artesanalmente, isto é, na medida e no tamanho dos nossos pacientes.
É justamente aqui que o PTS se reinventa, deixa de ser um documento formal para ser um instrumento de cuidado contextualizado e sensível à história única de cada indivíduo. Na clínica histórico-cultural, o raciocínio clínico vem antes das ferramentas que utilizamos, e o Projeto Terapêutico Singular ilustra isso muito bem!
O que é o Projeto Terapêutico Singular?
O PTS é uma estratégia interdisciplinar de cuidado, comum em contextos de saúde coletiva, de saúde mental e atenção psicossocial e que nós da clínica histórico-cultural nos apropriamos e criamos uma versão. Ele deve ser construído coletivamente com os profissionais envolvidos no acompanhamento do paciente, mas, sobretudo, com o próprio paciente, que precisa ser reconhecido como protagonista do seu processo.
Na clínica histórico-cultural, essa construção não se dá apenas com base em diagnósticos ou protocolos. Ela nasce da escuta atenta à história de vida, aos vínculos, aos recursos simbólicos e materiais disponíveis, às zonas de desenvolvimento possíveis. E, mais do que tudo, conectado com o reconhecimento de que cada ser humano carrega em si a potência de se desenvolver, mesmo diante de obstáculos culturais, sociais, psíquicos e/ou biológicos.
Situação social de desenvolvimento e implicações clínicas
Cada pessoa está imersa em uma situação social única, que determina seus acessos (ou não) à cultura, às relações, à linguagem, ao trabalho, à educação.
Por isso, o primeiro passo na construção de um Projeto Terapêutico Singular é compreender quem é o paciente historicamente, quais são seus vínculos, suas práticas cotidianas, suas barreiras e suas possibilidades de desenvolvimento, em que direções por ir.
Essa análise nos permite identificar não apenas o que está “faltando”, mas sobretudo o que está preservado e pode ser mediado para criar novas possibilidades de existência.
O papel da clínica histórico-cultural
Na perspectiva histórico-cultural, a(o) psicóloga(o) não atua sozinho. O PTS é fruto de um trabalho interdisciplinar, mas também profundamente dialógico, ético e comprometido com o desenvolvimento humano. Ele exige escuta sensível, compromisso político com o cuidado e abertura para reconhecer os atravessamentos sociais que configuram o sofrimento psíquico.
Na clínica, construímos o PTS como uma forma de devolver ao paciente a autoria sobre sua própria vida. Ele é pensado em conjunto, discutido com a(o) paciente e reformulado sempre que necessário — não como sinal de fracasso, mas como expressão de que estamos em movimento, atentos à complexidade, à imprevisibilidade e à singularidade da vida real.
Singularidade não é isolamento: é território de construção coletiva
Chamar o projeto de “singular” não significa individualizá-lo a ponto de perder de vista o social. Pelo contrário: é reconhecer que cada pessoa precisa de mediações específicas, e que essas mediações devem ser construídas com base em como o social se sintetiza em cada pessoa.
A singularidade, aqui, não isola. Ela convoca à coletividade, à corresponsabilização, à construção de redes e acessos. Ela exige que olhemos para cada sujeito com o compromisso de oferecer as condições para que ele possa, de fato, viver de forma mais autônoma, criativa e significativa.
Conclusão
O Projeto Terapêutico Singular na Clínica Histórico-Cultural é mais do que uma ferramenta: é uma postura. Uma forma de fazer clínica com ética, escuta e compromisso com o desenvolvimento humano em sua complexidade.
O PTS se torna um instrumento potente de transformação e cuidado real.
Se você, assim como nós, acredita que ninguém se desenvolve sozinho e que a clínica histórico-cultural é lugar de produção de vida, siga com a gente nessa jornada.
Se você quiser aprender como construir o Projeto Terapêutico Singular dos seus pacientes, conheça o nosso Curso Instrumentos de Intervenção e Raciocínio Clínico!
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O Instituto Veresk é um coletivo de psicólogos histórico-culturais apaixonados pela teoria de Vigotski na clínica, composto por Neto Oliveira (Diretor Geral), Brenna Santos (Coordenadora Pedagógica) e Mylene Freitas (Coordenadora de Marketing). Contamos ainda com a referência e consultoria da Prof. Dra. Ana Ignez Belém Lima, precursora da Psicologia Clínica Histórico-Cultural no Brasil.
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