Saiba tudo sobre a patopsicologia no texto de hoje
O sofrimento mental é uma experiência que muitas pessoas vivenciam em algum momento da vida, mas que ainda gera dúvidas e preconceitos. Tradicionalmente, a saúde mental é vista a partir de diagnósticos, rótulos e tratamentos focados apenas nos sintomas ou em causas biológicas.
No entanto, a Psicologia Histórico-Cultural (PHC) apresenta uma visão mais ampla e profunda, que ajuda a entender o sofrimento como algo ligado à história, às relações e à cultura de cada indivíduo.
O que é a Patopsicologia?
Dentro da PHC, a Patopsicologia é o campo que estuda as mudanças e as alterações nos processos psicológicos quando o paciente passa por sofrimento mental. Diferente de olhar só para sintomas ou para o cérebro isoladamente, a Patopsicologia investiga como o adoecimento afeta a atividade psíquica, a personalidade e as relações sociais do indivíduo, que é constituído pela cultura.
Ou seja, ela busca compreender o sofrimento mental como parte de uma história de vida, marcada por experiências, conflitos, necessidades e contextos culturais.
Vigotski e a visão do ser humano doente
Lev Vigotski, um dos fundadores da PHC, afirmava que não devemos olhar a pessoa doente apenas como “paciente” ou um conjunto de sintomas. Para ele, a doença é um estado, mas não define a totalidade do ser humano.
Isso significa que a pessoa continua sendo um sujeito com desejos, necessidades, valores e história. Para compreender o sofrimento, é preciso olhar para a personalidade inteira, para os motivos que movem a pessoa e para o contexto social em que ela está inserida.
Segundo a PHC, o sofrimento mental é uma forma de expressão da personalidade do ser humano. O que chamamos popularmente de “loucura” pode ser uma linguagem — ainda que confusa para os outros — para comunicar dores, desejos e conflitos que não encontram espaço para serem expressos de outra maneira.
Por isso, olhar para o sofrimento como uma manifestação da vida psíquica implica acolher essa linguagem e buscar seu sentido no contexto do indivíduo.
Os modelos tradicionais da saúde mental, muitas vezes, concentram-se em identificar sintomas e buscar causas biológicas ou químicas para o adoecimento. A PHC critica essa visão reducionista e alerta para o risco da medicalização excessiva, que pode desconsiderar o papel dos contextos sociais, econômicos e culturais.
Fatores como solidão, exclusão social, desigualdade e a alienação provocada por formas opressoras de organização social são elementos centrais para entender o sofrimento psíquico.
Como a Patopsicologia explica a formação da patologia?
Na Patopsicologia, a patologia é vista como uma alteração da atividade psíquica, que nasce quando as necessidades da pessoa não são atendidas adequadamente. Isso gera dificuldades em pensar, sentir e agir, que se manifestam em transtornos mentais.
Essa visão destaca que o adoecimento é um processo dinâmico, que envolve mudanças na motivação, nos motivos pessoais e na relação do sujeito com o mundo.
Cada pessoa cria sentidos próprios para suas experiências, combinando seu universo singular com as influências culturais e sociais. A ruptura ou alteração desses sentidos pode ser parte do sofrimento.
Por isso, compreender o sujeito em sua totalidade, considerando seus vínculos sociais e sua história, é fundamental para um cuidado efetivo.
Ao contrário do que se pensa, a crise no sofrimento mental não é apenas um momento de colapso, mas também pode ser uma oportunidade para reorganizar a vida psíquica e social. A crise pode revelar aspectos importantes sobre o que precisa ser transformado, abrindo caminhos para a recuperação e o crescimento pessoal.
Por que a PHC é importante para a saúde mental hoje?
A Psicologia Histórico-Cultural oferece um olhar mais humano e integrado, que respeita a complexidade do sofrimento mental. Ela dialoga com práticas contemporâneas de cuidado, como a Atenção Psicossocial, e contribui para um atendimento que valoriza o sujeito em sua singularidade.
Entender o sofrimento mental pela PHC é reconhecer que a saúde psíquica está ligada às condições concretas de vida e às relações que estabelecemos, o que torna o cuidado também uma ação social e política.
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Temos algumas indicações para você:
- Introdução à Patopsicologia – Zeigarnik
- Fundamentos de Defectologia – Vigotski
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O Instituto Veresk é um coletivo de psicólogos histórico-culturais apaixonados pela teoria de Vigotski na clínica, composto por Neto Oliveira (Diretor Geral), Brenna Santos (Coordenadora Pedagógica) e Mylene Freitas (Coordenadora de Marketing). Contamos ainda com a referência e consultoria da Prof. Dra. Ana Ignez Belém Lima, precursora da Psicologia Clínica Histórico-Cultural no Brasil.
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