O desenvolvimento da personalidade humana no capitalismo

Venha conosco compreender o desenvolvimento da personalidade no capitalismo!

O capitalismo nos atravessa

Falar de personalidade sem considerar o sistema em que ela se constrói é ignorar a base material da vida psíquica. Vivemos sob uma engrenagem social que modela nossas emoções, relações e desejos: o capitalismo. Essa estrutura econômica não apenas organiza a produção e o consumo, ela se infiltra em nossas formas de ser, pensar e sentir.

Ao longo deste texto, vamos discutir como o capitalismo atravessa o desenvolvimento humano e marca profundamente a constituição da personalidade, criando armadilhas subjetivas que, muitas vezes, chamamos de sintomas.

Sentir-se de fora num mundo que prega o sucesso

É sintomático: quanto mais se exalta a posse e o desempenho, mais as pessoas se sentem deslocadas, desconectadas, “erradas”. Essa contradição não é mero acaso. Trata-se de um efeito previsível de um sistema que estimula a competição individual, mas desarticula os laços coletivos que sustentam o senso de pertencimento.

O sentimento de inadequação, frequentemente relatado em atendimentos clínicos, nasce justamente da alienação que Marx descreveu: um rompimento entre o ser humano e sua atividade criadora, entre ele e os outros, entre ele e sua própria essência. No capitalismo, somos levados a desejar aquilo que o sistema nos oferece, mesmo que isso tenha pouco a ver com o que realmente precisamos.

E o que acontece conosco dentro do capitalismo?

À medida que nos afastamos das relações genuínas, nossa identidade se esgarça. A individualização promovida pelo capitalismo, que transforma o outro em concorrente e a vida em desempenho, produz uma cisão subjetiva: tornamo-nos estranhos a nós mesmos.

Essa desconexão impacta diretamente a construção da personalidade. Com vínculos frágeis e objetivos impostos externamente, a pessoa tende a desenvolver uma consciência empobrecida de si e do mundo: limitada, reativa, consumida por inseguranças e pela sensação de estar sempre em dívida com algo que nunca se alcança.

Um olhar clínico para além dos sintomas

A Clínica Histórico-Cultural propõe uma escuta que vai além dos sintomas individuais. Ela entende que o sujeito é formado nas relações sociais — e que, portanto, o sofrimento não pode ser compreendido fora do contexto histórico e coletivo.

Desde as primeiras experiências na infância até a vida adulta, o contato com o outro é condição para a constituição da personalidade. Quando essas relações são atravessadas por valores de competição, produtividade e autoexploração, criam-se subjetividades adoecidas, fragmentadas e reativas.

Frente a isso, a proposta da clínica é criar espaços de reconstrução da consciência, promovendo encontros, vínculos e reflexões capazes de resgatar o sentido do comum, esse território perdido onde a humanidade pode se reconhecer.

Cultivar resistência onde tudo chama à performance

Psicologia não é neutra. Uma psicologia comprometida com o humano não pode ser conivente com as formas de sofrimento produzidas pelas estruturas sociais. É necessário desnaturalizar o que adoece, nomear o que fragmenta e construir práticas de resistência.

Isso implica não apenas compreender os efeitos subjetivos do capitalismo, mas também intervir para que o sujeito possa, aos poucos, se apropriar da própria história, encontrar seus próprios motivos e reconstruir vínculos que deem sustentação a um modo de existir mais íntegro, crítico e coletivo.

Para aprofundar:

  • A Teoria da Alienação em Marx, de István Mészáros
  • Manuscritos Econômico-Filosóficos, de Karl Marx

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O Instituto Veresk é um coletivo de psicólogos histórico-culturais apaixonados pela teoria de Vigotski na clínica, composto por Neto Oliveira (Diretor Geral), Brenna Santos (Coordenadora Pedagógica) e Mylene Freitas (Coordenadora de Marketing). Contamos ainda com a referência e consultoria da Prof. Dra. Ana Ignez Belém Lima, precursora da Psicologia Clínica Histórico-Cultural no Brasil.

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