Emoções: construídas ou herdadas? Um olhar da Psicologia Histórico-Cultural

Emoções: construídas ou herdadas? Um debate antigo, um olhar renovado.

Falar sobre emoções nunca esteve tão em alta. Filmes, séries, redes sociais — tudo parece girar em torno de como sentimos, reagimos e expressamos o que nos afeta. Mas se engana quem pensa que essa discussão é nova. Por trás do discurso contemporâneo sobre as emoções há um terreno antigo, repleto de disputas filosóficas e científicas sobre o que realmente significa “sentir”.

Entre os muitos caminhos teóricos que tentam dar conta do fenômeno emocional, a Psicologia Histórico-Cultural — corrente inaugurada por Lev Vigotski — propõe um giro radical. Ela abandona a ideia de que emoções são apenas impulsos biológicos ou pacotes herdados geneticamente. Ao contrário, entende-as como parte de um processo histórico e cultural de formação humana.

A emoção atravessa a obra de Vigotski

Ainda que não tenha deixado uma teoria fechada sobre o tema, Vigotski jamais ignorou a importância das emoções. Em obras como Psicologia da Arte, Imaginação e criação na infância e até em sua leitura da peça Hamlet, é possível perceber como a emoção se infiltra em discussões sobre linguagem, imaginação e subjetividade.

No fim da vida, ele começou a sistematizar essa discussão em um projeto chamado Teoria das Emoções. O livro ficou inacabado devido à sua morte precoce, mas seus apontamentos foram preservados graças ao trabalho de seus colegas e discípulos.

Contra o naturalismo: emoções são funções superiores

O grande trunfo da Psicologia Histórico-Cultural está em romper com visões reducionistas. Vigotski confronta teorias como a de James-Lange, que explicava as emoções como simples respostas fisiológicas, e também se distancia dos evolucionistas, que tratavam os sentimentos como instintos fixos, dados pela natureza.

Para ele, embora enraizadas no corpo, as emoções não se esgotam na biologia. Elas se transformam à medida que o sujeito interage com o mundo ao seu redor. São moldadas pelas relações sociais, pelas mediações simbólicas e pelas experiências históricas que vivemos.

Sentir também é pensar (e agir)!

Uma das contribuições mais interessantes de Vigotski é mostrar que a emoção não é algo extra ao pensamento. Na verdade, eles se organizam mutuamente. Emoções nos tensionam, nos empurram ou nos travam. São forças internas que regulam nossos comportamentos, moldam decisões e atravessam as ideias que somos capazes de formular.

Assim, ao invés de considerar a emoção como algo caótico ou puramente instintivo, Vigotski nos convida a vê-la como uma engrenagem essencial da nossa vida psíquica, inseparável da linguagem, da memória, da ação.

Concluindo com as emoções

A Psicologia Histórico-Cultural nos obriga a pensar emoções para além de discursos fáceis sobre “inteligência emocional” ou “controle dos sentimentos”. Na visão histórico-cultural, emoção é um campo de luta e formação: ela nasce da cultura, se expressa na história e se transforma com o sujeito.

É um convite a enxergar o sentir não como algo privado e natural, mas como parte de um processo maior — profundamente humano, coletivo e em constante construção.

Quer se aprofundar sobre o tema das emoções na Psicologia Histórico-Cultural?

Confira estes textos:

  • Teoria das Emoções: um estudo histórico-psicológico – Vigotski;
  • Emoções e vivência em Vigotski (tese) – Gisele Toassa.

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O Instituto Veresk é um coletivo de psicólogos histórico-culturais apaixonados pela teoria de Vigotski na clínica, composto por Neto Oliveira (Diretor Geral), Brenna Santos (Coordenadora Pedagógica) e Mylene Freitas (Coordenadora de Marketing). Contamos ainda com a referência e consultoria da Prof. Dra. Ana Ignez Belém Lima, precursora da Psicologia Clínica Histórico-Cultural no Brasil.

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