O conceito de vontade na Psicologia Histórico-Cultural

Neste blog, a gente descomplica conceitos difíceis

A chama interna que organiza a ação

Talvez não saibamos nomear exatamente o momento em que algo dentro de nós faz com que nos dirijamos para um novo elemento, relação ou projeto, mas precisamos desde já entender que não se trata “só de um impulso”. Não é só desejo. Há algo mais! Uma força que organiza os afetos e nos permite traçar um rumo, ainda que sem muita consciência. Essa força tem nome: vontade, que você também vai encontrar na PHC com o nome de volição.

A chama interna que organiza a ação

A volição é mais do que a simples vontade de fazer algo. É o que sustenta, direciona e dá continuidade às ações humanas. É como um eixo em torno do qual nossas decisões giram. Ela não apenas inicia movimentos, como dá forma a eles, desde levantar da cama num dia difícil até reconstruir o próprio projeto de vida após uma grande perda.

Na perspectiva da Psicologia Histórico-Cultural, essa capacidade não nasce do nada. Ela é forjada no encontro com o mundo, nas relações, nos contextos sociais que nos atravessam e nos marcam. Aquilo que queremos, muitas vezes, começa sendo o que o outro quis por nós. E depois — só depois — pode se tornar verdadeiramente nosso.

A vontade é eminentemente social!

Vontades não brotam do vazio. Elas se constroem com matéria viva: experiências, interações, palavras, gestos. Aos poucos, essas influências externas são incorporadas, reorganizadas internamente e ganham sentido próprio. Quando internalizamos os signos sociais — como a linguagem, os símbolos, os valores — transformamos o mundo que nos habita.

Esse processo, mediado pelos signos, também afeta outras funções psíquicas superiores: atenção, memória, pensamento, imaginação, emoção. É o que torna possível guardar dinheiro para algo importante, insistir num objetivo mesmo diante do cansaço, ou abandonar um caminho porque ele já não faz mais sentido.

A clínica histórico-cultural e a construção da vontade

Na prática clínica orientada pela Psicologia Histórico-Cultural, trabalhar com a volição é cuidar daquilo que põe o indivíduo em movimento. É contribuir para que ele tome consciência das vontades que o atravessam — algumas herdadas, outras impostas — e, a partir disso, possa escolher de forma mais livre.

Esse processo abre espaço para novas Zonas de Desenvolvimento Proximal. Quando o sujeito experimenta um querer diferente, ele também se reposiciona no mundo. Amplia sua autonomia, descentraliza-se de vontades estreitas e cria novos vínculos com a realidade.

Em muitos casos, é justamente o resgate ou a criação de novos desejos que inaugura mudanças mais profundas. A clínica, nesse sentido, não é apenas lugar de escuta, mas de reconstrução do campo do possível.

Finalizando… com liberdade

Pensar a volição como centro organizador da atividade humana é reconhecer que a vontade não é algo dado, mas construído. É compreender que a liberdade não está em fazer o que se quer, mas em poder transformar o que se deseja.

Vigotski, em sua genialidade, nos deixou pistas valiosas sobre esse conceito e seu papel na constituição do psiquismo, sobretudo ao relacionar volição e autocontrole, mostrando como o desenvolvimento da consciência é inseparável da capacidade de dirigir a própria conduta.

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Ah, e para se aprofundar no tema da volição, te indicamos o artigo O conceito de liberdade em Vigotski, da profa. Gisele Toassa.

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O Instituto Veresk é um coletivo de psicólogos histórico-culturais apaixonados pela teoria de Vigotski na clínica, composto por Neto Oliveira (Diretor Geral), Brenna Santos (Coordenadora Pedagógica) e Mylene Freitas (Coordenadora de Marketing). Contamos ainda com a referência e consultoria da Prof. Dra. Ana Ignez Belém Lima, precursora da Psicologia Clínica Histórico-Cultural no Brasil.

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