A Psicologia Histórico-Cultural tem ganhado cada vez mais espaço entre profissionais e estudantes que buscam uma clínica comprometida com a realidade concreta das pessoas. Mas, afinal, como se dá o raciocínio clínico dentro dessa abordagem? Quais instrumentos e estratégias orientam o trabalho do psicoterapeuta?
Neste texto, vamos te ajudar a compreender como pensar clinicamente a partir dos fundamentos da Psicologia Histórico-Cultural de Vigotski!
O que é o raciocínio clínico na PHC?
Diferente de abordagens que partem de protocolos padronizados, o raciocínio clínico na Psicologia Histórico-Cultural é construído a partir da análise qualitativa da história de vida do sujeito e da sua situação social de desenvolvimento.
Isso significa que cada processo terapêutico é único — não porque seguimos o “intuitivo”, mas porque trabalhamos com a realidade concreta, histórica e relacional do paciente. Nosso ponto de partida não é o sintoma isolado, mas o conjunto de experiências que estruturam modos de sentir, pensar e agir.
O papel do Projeto Terapêutico Singular (PTS)
O PTS é o principal instrumento do raciocínio clínico na PHC. Trata-se de um plano de intervenção personalizado, que orienta o percurso da psicoterapia com base em algumas perguntas centrais, como:
- Quais são as funções psicológicas mais desenvolvidas e as mais comprometidas?
- Que aprendizagens fossilizadas (saudáveis ou adoecidas) estão presentes na atividade do sujeito?
- Quais são suas necessidades fundamentais, intermediárias e menos urgentes?
- Como está estruturado o seu cenário de vida atual?
Esse planejamento permite que as intervenções sejam pensadas de forma crítica, contextualizada e intencional.
Instrumentos e mediações na clínica histórico-cultural
Uma dúvida comum entre psicólogos iniciantes na PHC é: essa abordagem tem instrumentos próprios?
A resposta é sim — mas com uma advertência: os instrumentos não são o centro do processo, e sim ferramentas a serviço do raciocínio clínico.
Inspirados em Vigotski, entendemos que os seres humanos se relacionam com o mundo de forma mediada. Por isso, os instrumentos e os signos têm papel central no processo terapêutico. E não vai esquecer a diferença entre instrumentos e signos, hein?!
- Instrumentos: recursos concretos que ajudam a organizar o pensamento e ampliar a consciência do sujeito (ex: ficha de conceitualização, Dinâmica do Tempo, Cenário de Vida, Árvore das Necessidades).
- Signos: recursos simbólicos, especialmente a linguagem, usados em intervenções verbais como a reexpressão, a análise de contradições e a ecoação emocional.
A escolha por utilizar um ou outro deve ser guiada pela pergunta:
Este recurso favorece o desenvolvimento psíquico deste paciente, neste momento?
Uma clínica crítica e comprometida com o desenvolvimento
A Psicologia Histórico-Cultural propõe uma clínica radicalmente comprometida com o contexto de vida das pessoas. O raciocínio clínico, nessa abordagem, exige escuta qualificada, análise crítica e atuação mediada por instrumentos e signos que tenham sentido para o processo de desenvolvimento do sujeito.
Mais do que saber aplicar técnicas, o psicoterapeuta histórico-cultural precisa construir um olhar analítico, ético e criativo, capaz de produzir intervenções potentes, contextualizadas e profundamente humanas.
Se você busca uma psicologia clínica que não separa sujeito e sociedade, teoria e prática, sofrimento e história — a PHC pode ser o caminho.
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O Instituto Veresk é um coletivo de psicólogos histórico-culturais apaixonados pela teoria de Vigotski na clínica, composto por Neto Oliveira (Diretor Geral), Brenna Santos (Coordenadora Pedagógica) e Mylene Freitas (Coordenadora de Marketing). Contamos ainda com a referência e consultoria da Prof. Dra. Ana Ignez Belém Lima, precursora da Psicologia Clínica Histórico-Cultural no Brasil.
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