A Psicologia Histórico-Cultural parte da compreensão de que o ser humano se constitui e se determina na relação com o outro, com a cultura, com a linguagem e com a história.
Ao buscar apreender o desenvolvimento humano, bem como o fenômeno do adoecimento mental a partir de sua gênese histórica e social, a Clínica Histórico-Cultural nos fornece instrumentos rumo à superação desse quadro e a construção de práticas que venham a ser humanizadoras e libertadoras no campo da saúde mental.
Sabendo disso, hoje iremos te apresentar 4 pilares essenciais que regem os princípios da Clínica Histórico-Cultural e que poderão transformar a sua prática clínica!
Ficou curioso? Confira logo a seguir cada uma delas:
1 – A clínica é dialética
A Clínica Histórico-Cultural apropria-se dos princípios do materialismo histórico dialético e desenvolve-os dentro do contexto psicológico. Nesse cenário, as ferramentas que o indivíduo utiliza para transformar o mundo e a si mesmo deixam de ser simplesmente do campo material, e passam também a ser simbolizadas.
Vigotski diz que, assim como os instrumentos físicos, os instrumentos psicológicos também transformam a realidade!
Desse modo, a relação entre psicoterapeuta e paciente promove um processo dialético em que novos instrumentos psicológicos e signos são criados e o sujeito pode transformar a si e ao mundo.
Assim, a práxis histórico-cultural vai compreender o ser humano dialeticamente – como alguém que é constituído pela realidade concreta, ao mesmo tempo que nela pode atuar e transformar!
2 – A clínica é dialógica
Na Clínica Histórico-Cultural, o processo dialógico fomenta a ampliação da consciência e o desenvolvimento das funções psicológicas superiores.
A escuta atenta e empática consolida-se como um instrumento clínico fundamental: estabelece uma relação dialógica que, ao mesmo tempo que acolhe, complexifica as formas de pensar, sentir e agir do paciente.
Assim, nossa atuação está baseada na produção de sentidos. No encontro com o outro, nós podemos nos desenvolver e construir sentidos sobre o mundo e seus elementos, criando espaço para o desenvolvimento dos processos dialéticos no setting clínico.
3 – A clínica é intencional
Se o principal objetivo da nossa clínica é promover o desenvolvimento, ela é uma prática intencional. Logo, cada uma de nossas intervenções deve estar alinhada com esse objetivo!
Pensar em uma intervenção com intencionalidade possibilita com que o psicólogo ofereça recursos simbólicos, interpretações, imagens, palavras – tudo isso com o objetivo de favorecer o desenvolvimento, ampliar sentidos e fortalecer o sujeito em sua capacidade de se narrar de forma diferente e de aprender novos caminhos saudáveis.
Assim, o psicoterapeuta, inserido em um processo dialógico e dialético, constrói intencionalmente, junto ao paciente, novas estratégias que visam a superação de comportamentos que restringem o potencial de desenvolvimento do sujeito.
4 – A clínica é interventiva
Na Clínica Histórico-Cultural, o psicólogo exerce o papel de mediador e por meio da mediação atua de forma direta na promoção da Zona de Desenvolvimento Proximal – ZDP.
É a partir dessa zona que os psicólogos conseguem intervir! O objetivo central da intervenção não é apenas uma adaptação, mas a promoção ativa do desenvolvimento. O psicoterapeuta atua ativamente para expandir a autonomia do paciente e seu controle consciente sobre as próprias ações.
Desse modo, para promover desenvolvimento, exige uma postura mais interventiva da (o) psicoterapeuta. Lembre-se que o desenvolvimento é sempre mediado!
Resumindo para você…
Em suma, a Clínica Histórico-Cultural caracteriza-se por uma prática deliberadamente interventiva, sustentada pela unidade entre dialética, diálogo e intencionalidade.
Nessa perspectiva, o terapeuta atua como um mediador que, através do processo dialógico, constrói com o sujeito novos recursos simbólicos.
Essa postura ativa não visa apenas a adaptação, mas promove a expansão da Zona de Desenvolvimento Proximal e o desenvolvimento das funções psicológicas superiores, permitindo que o indivíduo transforme a si mesmo e a sua relação com o mundo.
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