Você já se deparou com demandas de sexualidade na clínica?
Abordagens mais tradicionais da psicologia tendem a argumentar que a sexualidade surge apenas durante a puberdade e que está inteiramente ligada à relação do indivíduo com os seus órgãos genitais…
Entretanto, a Psicologia Histórico-Cultural contrapõe esse pensamento, uma vez que contempla o ser humano em toda a sua totalidade, como um ser biológico, histórico e social. Portanto, a sexualidade é também um processo histórico-cultural que se manifesta durante todo o desenvolvimento do homem, compreendendo suas experiências, vivências e reflexões acerca das significações e intencionalidades sexuais.
Mas como podemos atuar na clínica a partir dessa perspectiva? É isso que vamos explorar nos pontos a seguir!
A compreensão de desenvolvimento na PHC…
Diferentemente das abordagens tradicionais da psicologia, que têm uma visão cartesiana e binária dos fenômenos psicológicos, a psicologia do nosso querido Vygotsky nos traz um entendimento de que o ser humano é integral, assim não há divisão entre externo e interno, cognição e afeto, mente e corpo ou biológico e cultural.
A relação dialética entre o sujeito e contexto sociocultural favorece o desenvolvimento psicológico singular e social onde o homem atua na cultura e no mundo social da mesma forma que também é afetado por eles.
Portanto, é necessário compreender o desenvolvimento humano como um processo contínuo e passível de mudanças conforme cada contexto, ou seja, é um processo não linear uma vez que se têm informações e conhecimentos diversos compartilhados pelas pessoas em todas as culturas ou que são reservados a uma cultura específica.
E é por meio da interação social que o paciente aprende e se desenvolve, construindo novas e diversas formas de atuar no mundo!
A construção da sexualidade também ocorre nesse caminho!
Embora algumas questões relativas ao sexo e a sexualidade dependam do componente biológico, como o crescimento e desenvolvimento dos órgãos sexuais, a produção de hormônios, a formação dos aparelhos reprodutivos, entre outros… ao considerarmos a perspectiva histórico-cultural, são as mediações que o indivíduo recebe em relação às noções, discursos e conhecimentos historicamente construídos acerca da sexualidade que determinarão sua formação, posição e atuação no mundo em relação a essa temática.
Desde o nascimento, o ser humano já se encontra rodeado de conhecimentos e informações que vão sendo internalizadas ao longo de toda sua vida por meio de práticas sociais. Mas para que se apropriem destes, é necessário que realize alguma atividade significativa que favoreça o acesso e a internalização desses saberes.
Logo, percebe-se como o acesso a conhecimentos quanto aos tabus, preconceitos e receios acerca da sexualidade são determinados, ao longo da história, pelo próprio paciente conforme sua necessidade e objetividade.
A atuação do psicoterapeuta histórico-cultural
Na clínica, desafios e sofrimentos relacionados à sexualidade podem se apresentar de diversas formas, uma vez que cada paciente carrega suas experiências e vivências particulares.
A atuação se dará na promoção de mediações que alterem os significados e sentidos formados, buscando construir juntamente ao paciente modos mais saudáveis de vivenciar a sua sexualidade, através da atividade.
Isso envolve dizer que o processo terapêutico histórico-cultural, quando direcionado às necessidades do paciente e ao oferecer mediações adequadas a cada caso, promove o fortalecimento das funções psicológicas superiores e a ampliação da consciência do paciente.
Mas lembre-se que tal execução depende de uma avaliação profunda e atenciosa da história de vida do paciente, entendendo que cada desenvolvimento é único! Isso possibilita a elaboração de intervenções mais contextualizadas e personalizadas.
Resumindo para você…
A PHC entende que o desenvolvimento do paciente, e também a sua sexualidade, se constrói dialeticamente na relação entre sujeito e cultura: embora existam bases biológicas, são as mediações e conhecimentos historicamente construídos que moldam como cada pessoa vivencia sua sexualidade, incluindo os preconceitos e repressões sexuais.
Nesse sentido, o psicoterapeuta histórico-cultural atua ressignificando esses sentidos junto ao paciente, promovendo formas mais saudáveis de vivenciar a sexualidade a partir de uma escuta cuidadosa e singular de sua história de vida.
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