Entenda como funciona a anamnese na clínica histórico-cultural!

A anamnese, nas abordagens tradicionais da Psicologia, é um conjunto de práticas e estratégias de levantamento de informações sobre a vida do paciente, que acontece no início do processo terapêutico, com o intuito de estabelecer relações entre fatos passados e a estruturação dos processos psicológicos do presente.

E é claro que a Psicologia Clínica Histórico-Cultural traz sua valiosa contribuição para essa temática, uma vez que compreendemos o ser humano como um ser integral, que deve ser analisado como um processo em desenvolvimento, e não como algo estanque, um simples conjunto de sintomas.

Por isso, para te auxiliar na compreensão e elaboração da anamnese a partir do viés clínico histórico-cultural, vamos explorar a seguir 4 pontos principais que você não pode esquecer!

O caráter dialético e contínuo da anamnese

Isso significa que lidamos com um desenvolvimento psíquico histórico e em movimento na clínica, que se dá por meio de processos de transformação atravessados por diversos fatores, sejam biológicos, sociais e/ou aprendizagem.

Estes fatores, por sua vez, encontram-se na caminhada terapêutica do paciente e sintetizam um fenômeno completamente novo: entre o universal, o particular e o singular em cada paciente.

Isso quer dizer que a Psicologia Histórico-Cultural entende, sim, que os períodos iniciais da vida, como a infância e a adolescência, são essenciais para a compreensão da história do desenvolvimento de uma pessoa, mas isso não é feito sob um viés pré-determinista.

Se compreendemos que a anamnese é uma avaliação sobre o processo de desenvolvimento do paciente, contemplamos, portanto, que os movimentos de transformação na sua personalidade não cessam e estão em constante atualização!

A investigação histórica na anamnese

A Clínica Histórico- Cultural está comprometida com a investigação histórica do desenvolvimento, seja ele saudável ou adoecido. Compreendemos que nosso paciente tem uma história de vida complexa, mas não só ele ou ela. O seu sofrimento também possui uma gênese que muito nos interessa!

Isso retrata que qualquer uma das nossas intervenções na clínica terá o objetivo de, através da compreensão crítica e em perspectiva da história do desenvolvimento psíquico, organizar mediações clínicas que favorecem o desenvolvimento.

Nesse viés, a anamnese não deve ser vista como um momento estático da caminhada terapêutica, mas como uma investigação intencional que nos ajudará a construir nossos objetivos terapêuticos, sempre na direção de promover desenvolvimento e transformação.

A anamnese como um instrumento

Nosso querido Vigotski conceitua instrumentos como os artefatos culturais que a humanidade produziu e produz no decurso da história da cultura e que carregam consigo os processos intencionais de consciência e reflexão sobre a realidade e criação.

Nessa perspectiva, os instrumentos apresentam um caráter mediador, o que significa que, quando se encontram em relação com o ser humano, são capazes de provocar alterações na sua dinâmica psíquica, seja na forma como o indivíduo realiza sua atividade, seja no modo como se configuram as suas funções psicológicas superiores.

Assim, analisar a anamnese como um instrumento representa obter um olhar integral para a história de desenvolvimento do paciente, que proporciona a construção de um diálogo entre a história do comportamento, a atividade e o desenvolvimento prospectivo.

A estrutura da anamnese

A partir do exposto, percebemos que a anamnese deixa de ser uma simples entrevista inicial, feita apenas em uma ou duas sessões baseadas em perguntas engessadas.

A anamnese histórico-cultural não só pode durar mais sessões, como pode ser revisitada, posta em perspectiva e complementada ao longo de todo o processo da caminhada terapêutica.

Ela pode ser estruturada em conformidade com a queixa do paciente e as intenções de investigação do psicoterapeuta histórico-cultural, variando entre formatos clássicos com perguntas padronizadas, e formatos mais dinâmicos com o uso de instrumentos e técnicas complementares de investigação.

O mais importante é assegurar que a anamnese forneça espaço para reorganizações nas funções psicológicas superiores do paciente, contribuindo para a transformação da atividade e fortalecimento da consciência a respeito da sua situação social de desenvolvimento.

Gostou deste conteúdo? 

Se você quer se aprofundar na clínica histórico-cultural, não deixe de conferir o nosso livro A práxis na Psicologia clínica Histórico-Cultural: discutindo casos, onde tratamos sobre o tema da anamnese e outros também fundamentais para aprender clínica histórico-cultural.

Comentários

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

CNPJ 59.151.230/0001-02
Instituto Veresk de Psicologia Historico Cultural LTDA
Av. Dom Luís, 500 – sala 1531 – Aldeota, Fortaleza – CE, 60160-196
© 2026 Todos os direitos reservados | Criado Por Alexandre Casarin de Lima